quarta-feira, 31 de agosto de 2016

Cotidiano

Eu vejo os carros passarem

Os prédios coloridos em cinza

Vejo o céu nublado e carregado de estática

Vejo o suor dos andarilhos na calçada:

É meio-dia.

Tudo para. O calor sobe à cabeça.

Transpiração

Vejo o cabelo desgrenhado

 da jovem à minha frente

ela dorme

Fecho os olhos

Ouço as buzinas e os palavrões do estresse

Uma criança chora

“Mamãe está quente”

Meus pensamentos são ofuscados

pela impaciência e desconforto.

Espero por um ato inesperado

Voar por cima dos automóveis parados

Passando pelas árvores até alcançar o sossego

Escuto o gotejar lento no teto

E sinto respingos escorrendo em meu rosto

Abro a janela e sorrio

Sinal verde

Paz, enfim.

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