segunda-feira, 5 de setembro de 2016

Moinho


Cartola cantou que o mundo é um moinho.
O mundo é um moinho triturador de sonhos.
Por muito tempo acreditei que era assim,
que todas as apostas que eu faria na vida seriam em vão,
 porque tudo se vai.
A efemeridade da vida me assustava
e me congelava na zona de conforto.
O mundo é um moinho e em pouco tempo
 não serás mais o que és.
Em alguns anos eu perderia a essência jovem e aventureira
 que outrora fazia morada em mim.
 Onde ficaram todos os planos de conhecer o mundo,
de escrever vários livros, de cantar nos bares,
 de comer comidas exóticas...
Onde ficaram os planos de correr atrás dos sonhos?
A efemeridade do ser ainda me assusta.
O mundo é um moinho e quando notares estará à beira do abismo...
Abismo que cavaste com teus pés.
Não quero acreditar que um dia olharei para o que vivi
e perceberei que apenas existi.
Não se aproxime do abismo.
Aprendi hoje que os obstáculos que enfrentamos
muitas vezes são postos por nós mesmos.
O que nos impede de ultrapassá-los?
De que temos medo?
O mundo é um moinho...
Dando voltas e voltas...
E nós somos constante transformação.